segunda-feira, 19 de novembro de 2007

ÁGUA!




Tu não tens gosto, nem cor nem aroma
Não podemos definir-te,
Saboreamos-te sem te conhecermos.
Tu não és necessária à vida: tu és a própria vida!
Tu penetra-nos dum prazer
Que não se explica pelos sentidos.
Contigo reentram em nós todos os poderes
Aos quais tínhamos renunciado…
Por tua graça,
Abrem-se em nós todas as fontes corrompidas
Do nosso coração
Tu és a maior riqueza que existe no mundo,
E és também a mais delicada,
Tu, tão pura no ventre da Terra.
Pode-se morrer sobre uma fonte de água com magnésio.
Pode-se morrer a dois passos dum lago de água salgada.
Pode-se morrer apenas de dois litros de orvalho
Que alguns sais retêm em suspensão.
Tu não aceitas mistura alguma,
Tu não suportas alterações alguma,
Tu és uma desconfiada divindade…
Mas tu espalhas em nós
Uma felicidade infinitamente simples.

Extraído do livro Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry

Sem comentários: